[SANTIAGO] A lei dos mais espertos

3/17/2007 01:24:00 AM / Posted by Daniel Alonso /

Esses dias eu vi algo que me lembrou de um episódio que aconteceu comigo, ou melhor, na minha presença, aqui em Santiago.

Nos primórdios da minha estadia aqui, quando ainda morava no hotel pago pela empresa, resolvi ir na "25 de março" local, que chama-se Franklin, para buscar móveis baratos para meu futuro apartamento. Um argentino, que também estava hospedado no hotel resolveu ir junto, pois queria comprar uma câmera para sua mulher e quiçá um notebook, mas como não ganhava muito (os argentinos ganham a metade do que os chilenos e eu ganhávamos, crueldades do poder de compra) ele tinha a perspectiva de encontrar algo no "mercado alternativo".Entenda-se por alternativo como de qualquer origem que não seja lícita, quase sempre por furto ou roubo.

Eu passei toda a viagem de metro dando sermão no cara, porque nada me dá mais raiva pena do que gente que compra coisas que sabe que são roubadas, não entendem que tudo é um ciclo, que eles NÃO estão na ponta final do processo e que simplesmente dão mais força e aumentam seu momentum, e que ao final eles são vitimas de si mesmos. Agora, obviamente minha ética é torta e a hipocrisia não, pois eu não condeno a compra de produtos "tax free" já que vivo no meu próprio conceito de livre mercado...>

Bom, enfim, como um bom argentino (podia ser brasileiro também, porque não?) ele não conseguiu tirar a idéia de tomar vantagem e seguiu adiante com a sua idéia, não encontrou nenhum notebook, mas sim um cara vendendo uma câmera digital na rua, uma câmera digital e nada mais.

Desconfiado como sou, não dei a mínima atenção para o cara, mas o argentino obviamente foi lá conferir, ele ficou discutindo preço, tomando cuidado para que a câmera funcionasse e eu segui viagem e fui ver uns móveis do outro lado da rua.

Alguns minutos depois ele aparece, feliz, com a sacola na mão dizendo que comprou a câmera por 5mil pesos (20 reais). Faço uma expressão rápida com uma sobrancelha e peço para ver a câmera. Ele abre o saco plástico tira um case de cd (onde o cara tinha guardado a câmera), abre e... puro papelão! Indescritível era a cara do meu caro amigo portenho quando viu que foi enganado, ainda mais quando se deu conta que foi enganado por um chileno, a vergonha suprema! Eu não consegui segurar (na verdade nem tentei) e comecei a rir, falei que ao menos a lição de moral custou barato pra ele.

Voltamos ao metro, o argentino ainda com cara de "wtf?" e ao passar pela estação do centro ele baixou, e foi na loja de departamentos comprar uma câmera, pelos meios oficiais....

O que me trouxe essa memória foi algo que vi em Franklin, quando fui outra vez para comprar cadeiras. Passeando pela rua lotada de gente, encontro o mesmo cara que vendeu a câmera pro argentino, agora oferecendo um Mp3 Player a uma mulher. Pensei em parar para avisar-la que era um engodo, mas pensando melhor, não adiantaria muito, pois isso é algo Darwiniano onde os mais aptos acabam por se sobrepor aos mais débeis, a lei dos mais espertos...

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